O impacto da boa liderança no desempenho da equipe

Por Ely Bisso da Dorsey Rocha

A palavra líder tem diversos significados, mas gosto de defini-la desta forma: líder é aquela pessoa capaz de levar a sua equipe a um desempenho e a um resultado que não seriam possíveis sem a sua atuação; alguém capaz de mudar a história com suas ações.

A maioria das pessoas aprende por meio de outras pessoas, de seus exemplos e práticas. Nas empresas, quem tem esse papel de guiar e ensinar é o líder. Por trás de uma grande organização, existe uma grande equipe e, por trás disso tudo, existe uma boa liderança. As empresas são feitas por pessoas, por isso, motivá-las, engajá-las e inspirá-las é a base do sucesso.

Mas, por que ainda temos líderes que desmotivam tanto seus colaboradores e nadam contra essa corrente?

Em 2013, uma pesquisa feita pelo Hay Group, com a Universidade de Harvard, avaliou que, entre os 95 mil líderes de 49 países, cerca de 50% criam climas desmotivadores contra 19% que promovem locais de trabalho de alto desempenho. Já no Brasil, onde foram entrevistados mais de 3 mil gestores, 63% criam um clima desmotivador contra 12% que criam climas que motivam os colaboradores.

Então, como deve agir um líder para motivar e ajudar a sua equipe a ter um desempenho melhor? A teoria parece simples, mas a grande maioria encontra dificuldades na hora de colocar em prática as orientações. Com um pouco de esforço, grandes gestores podem se tornar líderes melhores e ver resultados em pouco tempo. Exercer a liderança é ter essa capacidade de, pela ação, levar a equipe a um resultado surpreendentemente melhor.

Um líder precisa pensar em dois pontos importantes. O primeiro é que, sem uma meta determinada, será muito difícil contribuir para que o resultado seja alcançado. Essa comunicação é essencial para que toda a equipe saiba o que o líder espera.

O segundo é reconhecer se o colaborador é capaz de realizar a tarefa como o líder espera. É importante observar se o fardo não é mais pesado do que o colaborador pode carregar. Não adianta delegar algo que a pessoa não se sinta capaz de realizar. Nesse momento, o papel do líder é motivá-la, mas saber das suas limitações também.

Todos podem ser chefes, mas são poucos os bons líderes, infelizmente. Todo gestor deveria ser líder, inspirar e acompanhar sua equipe lado a lado, inclusive nas avaliações, feedbacks, entre outras situações. Não é apenas delegar as tarefas e esperar que elas sejam cumpridas de forma correta sempre, sem ao menos orientar, acompanhar e ensinar. Como eu digo, se eu sou um bom líder, eu delego e não “de largo”.

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Um exemplo de caminhar lado a lado da equipe é não esperar o fim dos projetos para dar feedbacks e dizer o que deu errado. Quando você atribui uma responsabilidade para alguém, deve saber se ela é capaz de realizar a tarefa, mas, além disso, é importante prover recursos, acompanhar o que acontece e, na medida em que o colaborador desenvolve, interagir e dar feedbacks.

Uma ajuda digital

Sabemos que o tempo é muito precioso e que a maioria dos líderes executa tantas tarefas que, muitas vezes, não conseguem fazer esse trabalho de gestão de pessoas e se comunicar com a sua equipe. Eles se esquecem que, hoje em dia, a tecnologia ajuda a agilizar os processos. Ela não substitui a gestão, mas otimiza os processos, permitindo que o tempo dos líderes seja exclusivo dos colaboradores. Cada vez mais, a tecnologia está presente em diversas áreas e na gestão de pessoas não é diferente.

Com uma cultura organizacional bem estabelecida, o uso da tecnologia diminui o tempo de dedicação, torna o trabalho de um líder mais objetivo e contribui, inclusive, para aliviar a memória dele, que passa a armazenar as informações no computador. As matrizes de talento, conhecidas como 9 Box, são exemplos de tecnologia.

Por meio de uma matriz que agrupa dados de desempenho e potencial, o líder consegue avaliar como está a performance dos colaboradores e, a partir dela, definir um plano de desenvolvimento. Um colaborador que tem grande potencial para exercer uma outra tarefa, por exemplo, pode precisar de treinamento ou de alguma orientação. Os resultados dos quadrantes dessa matriz ajudam o líder a saber qual a ação mais indicada para cada funcionário.

O método 9 Box foi aprimorado durante alguns anos para não generalizar os resultados. A SER, que é uma empresa de tecnologia para recursos humanos, já investe nessa tecnologia que tem conquistado muitas empresas. Em um dos seus cases ela, inclusive, adaptou o modelo e usou 12 quadrantes, em vez dos 9 tradicionais. Isso ajuda a manter os dados mais detalhados. Tecnologias assim colocam nas mãos dos líderes todo o resultado que demoraria dias para ser avaliado e tornaria o processo cansativo e desgastante.

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A comunicação do líder e liderado

Muitos líderes não realizam uma boa liderança por falta de tempo, como já mencionei. Alguns, entretanto, ainda não conseguem engajar a equipe e ter uma liderança 100% eficiente porque têm receio de fazer avaliação e se comunicar com os colaboradores.

Uma pesquisa feita em 2012 pelo Instituto Brasileiro de Coaching (IBC) apontou que 33% dos gestores entrevistados acreditavam que a principal competência que um líder precisa ter é uma comunicação efetiva com a sua equipe. Além disso, quase 70% acreditavam que os profissionais que ocupam os cargos de liderança não estão preparados para dar e receber feedbacks.

Essa comunicação pode ocorrer de uma maneira formal, por meio da Avaliação de Desempenho, que é realizada uma ou duas vezes ao ano, mas também pode acontecer diariamente, com feedbacks curtos sobre as atividades. O problema é que, tanto líderes, como liderados, se incomodam com avaliações e feedbacks pela dificuldade em lidar com críticas. Um estudo da neurociência mostra, inclusive, que a área do cérebro acionada quando se fala em feedback é a da dor.

Devido ao receio, porcentagem significativa de gestores não realizam a avaliação se não for obrigatória e, caso seja, fazem apenas para cumprir o protocolo. Isso afeta tanto o colaborador, que recebe o feedback de uma maneira negativa, como o líder, que faz sem se atentar aos detalhes importantes e não se aproveita de uma ferramenta tão rica para melhorar o desempenho de sua equipe.

Então, o que um bom líder tem que fazer para ter sucesso com a equipe? Separei três pontos que acho essenciais para liderar uma boa equipe e obter o melhor desempenho dos colaboradores.

  1. O líder precisa conhecer as pessoas da equipe. Às vezes, ele conhece o trabalho da pessoa, mas não sabe quem ela é, se é solteira, casada, se tem filhos ou não, se tem algum interesse de desenvolvimento na área em que trabalha ou não, entre outras coisas. Enfim, conhecer as pessoas é fundamental para fazer o processo de liderança evoluir. O chefe precisa ser capaz de ter uma boa relação com os colaboradores. Se o funcionário tiver tido uma péssima noite e exerce uma função de risco, por exemplo, ele consegue conversar com o chefe e explicar que não será produtivo, que pode colocar aquilo em risco, mas, se ele não tiver abertura para falar, pode acabar causando um problema ou mesmo um acidente.
     
  2. Os gestores e líderes devem sempre se perguntar “As pessoas me conhecem? ”. Um bom líder, lidera mesmo ausente. Quando a equipe conhece o líder, sabe como ele tenderia a agir diante de um problema e, assim, coloca em ação a resolução, afinal, a equipe sabe o que deve ser feito e tem liberdade para isso. Se o líder reage de maneiras diferentes, o funcionário acha mais seguro esperar o chefe, portanto, nada acontece em sua ausência.
     
  3. O líder tem que conhecer as suas qualidades e limitações. Tem gente na equipe que pode ser melhor do que ele em algumas atividades e, quanto mais ele dá liberdade de elas executarem essas coisas, mais tempo tem para liderar melhor. Segundo Warren Bennis, os líderes de sucesso atraem a atenção das pessoas para o que deve ser feito, eles evidenciam o significado, mostram para as pessoas o que elas ganham com aquilo, gerenciam a confiança delas, ou seja, eles se mostram líderes confiáveis.

Liderar não é fácil, mas é essencial. Lembre-se: muitos são chefes mas, na hora de trabalhar junto e alcançar o sucesso, as coisas só funcionam se há uma pessoa que ajuda e guia os demais.

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*Ely Bisso é sócio-diretor da Dorsey Rocha e atua como consultor de desenvolvimento organizacional e coach há mais de 25 anos junto às grandes empresas do mercado brasileiro. Foi professor de pós-graduação na UNICAMP e na PUC-CAMP. Executivo de empresas por 15 anos, na direção de RH da CPFL e do Banespa.